domingo, 15 de setembro de 2013
sábado, 26 de maio de 2012
O direito ao grito. *
Fui criada num regime paternalista e meio militar (isso não exclui, claro, o amor e carinho que recebíamos todos os dias) e em meio a três irmãos, sim, três “machinhos”. Dessa forma, muitas vezes tive que calar a boca por força maior. Física.
Mas, enfim, não escrevo este texto para reviver ou resgatar esses possíveis traumas do meu passado, tampouco para simplificar a minha relação com a fala colocando-me como vítima na história. Escrevo, principalmente, para dizer que, se algum dia tentaram me calar, lamento, mas foi em vão.
O fato de não poder falar tanto e quanto gostaria, impulsionou-me a desenvolver ainda mais o meu discurso. Passei a prestar muito mais atenção no que as pessoas diziam e a analisar os seus discursos. E aprendi a me expressar com mais habilidade ainda, inclusive calada. Logo, o feitiço, sim, virou contra os feiticeiros. O silêncio forçado plantou em mim o desejo de cada vez mais usar do meu direito e dever de F-A-L-A-R, simplesmente.
Assim, sou eternamente grata àqueles que algum dia tentaram fechar as portas do discurso para mim. Pois eu, ora por curiosidade, ora por ousadia, soube abrir as janelas e através delas dei (e dou) vazão a todos os meus pensamentos e sentimentos mais profundos. À minha maneira e com o meu jeito de ser. Não abrirei mão dessa minha liberdade. Nunca. O que pulsa por trás da minha aparente delicadeza e fragilidade é muito mais forte do que se imagina. E tenho dito.
* Um dos treze títulos da obra de Clarice Lispector, A hora da estrela.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Preciosidade.
Obrigada, Rafaela, por existir na minha vida e por dividir comigo as preciosidades do seu mundo e do seu modo de ver e viver tudo o que está ao seu redor...
Capa
As formigas e o formigueiro.
A senhora Joaninha cuidando de seus filhinhos.
A abelha voando no céu.
A artista
Abraço,Vanessa
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
.Desabafo.
O que mais me incomoda não é a hipocrisia das pessoas. E sim a negação do ser hipócrita. Pois todos somos, em maior ou menor grau, hipócritas.
Não tenho estômago para aqueles que se escondem atrás de um livro, de frases moralistas, de perfeitas denominações, de lindos rótulos e/ou superficialidades aparentemente poderosas. Pois esses se contradizem em suas atitudes diárias, não são capazes de ao menos respeitar um ser humano como se deve ou reconhecer o que há de bom no outro.
Não suporto contradições colossais entre o que se diz e o que se faz. Por isso, por favor, não me venha com hipocrisias baratas, pois para me convencer é preciso de muito, mas muito talento e atitude, inclusive com possíveis simulações e manipulações diárias. Do contrário, terei de ser como você e fingir acreditar nas suas tolas palavras. E talvez eu não precise disso.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Desabrochar
Saiu na direção contrária ao seu escritório. E, quando deu por si, estava o mais próximo possível de um ataque de nervos, que eclodiria em risos, palavrões, choros, pontapés e, quem sabe, alguns gritos de puro desespero.
Deu-se conta de tamanho impulso, pensou rapidamente nas crianças que esquecera de acordar, alimentar e enviar à escola. Riu e pensou que isso não faria tanta diferença em suas vidas. Elas detestavam a obrigação de ir à escola todos dias.
Nesse exato momento, avistou Paula, uma amiga de infância. Fingiu que não a vira, pois do contrário seria obrigada a demonstrar satisfação e contentamento. E hoje era um dia para não encontrar-se com ninguém. Hoje, o dia era seu, dedicado a si e a seus desejos.
Passou rapidamente pelo centro da cidade, comprou um novo cachecol azul – pois do mesmo modelo ela já tinha o verde, o preto, o lilás e o amarelo. Sim, faltava o azul. Mordeu alguns morangos na feira, apalpou lindas maçãs vermelhas, sorriu para o mundo, conversou com os mendigos, sentiu compaixão dos pés descalços das crianças de rua e sensibilizou-se com a tristeza estampada na cara de todos os transeuntes. Após andar quatro horas sem parar muito para pensar no que estava fazendo, nutrir-se da beleza e fatalidade que habitam a cidade, decidiu ir ao cinema. Era o seu presente de aniversário, ainda que a data tivesse passado há oito meses. Presentear é sempre um prazer.
Exausta, no final do filme percebeu que o seu dia fora inútil, talvez infértil e até banal. Isso a deixou feliz e satisfeita, há tempos precisava de um dia como esse. Mas há muito mais tempo sabia que desde então jamais voltaria à trivialidade de sua agenda diária, tampouco à banalidade de sua rotina. Ser livre para viver, é o que sentia no mais íntimo do seu ser.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Ponto final.
sábado, 30 de julho de 2011
Fracassar é preciso.
Sim, eu também sou um fracassado. Quando tento fazer algo e não consigo; quando planejo sem os pés no chão; quando não atinjo simples objetivos cotidianos; ou quando não dou conta da grandiosidade de meu ser.
Mas não se iluda. Sou um fracassado assumido e apenas em parte.
Enquanto fracasso, ou quando fracasso, parte de mim fica desiludida, descrente e desolada. Em contrapartida, todas as outras partes de mim sabem que o fracasso só vem para os corajosos, pois corajosos são aqueles que, mesmo na incerteza de não fracassar, tentam. Desesperadamente tentam.
Todas as outras partes, ainda, sabem que diante de um fracasso há sempre o desejo de não fracassar. Fica a semente plantada para o não-fracasso que está por vir. Sendo assim, se todas as minhas partes se comprimissem e tentassem ser apenas uma, eu seria - a cada fracasso - uma pessoa fracassada, pois não teria partes para me salvar do desolado fracasso.
Entretanto, teimosamente, junto-me, todos os dias, para ter-me inteiro, vivo, forte, frutífero e uno. Mas, despedaço-me, dia a dia, para me reencontrar em mim, detalhe por detalhe, no sim e no não, na vaidade e na verdade.
Francamente, fracassar é o que me impulsiona a comprar uma briga comigo mesmo. Hoje, fracasso. Amanhã, guerra. Depois, vencedor de mim. Sempre regresso ao meu eu não fracassado. Travo lutas contínuas e não abro mão desta odisseia. Acabo vencedor.
