Num dia desses, numa avaliação, sem pretensão alguma de expor os problemas dos meus alunos ou de dar-lhes a chance de falar de seus móveis e eletrodomésticos, de vangloriarem-se com os seus “bens” (muitos fizeram isso!), inseri uma questão em que deveriam descrever a sua casa. A questão, vista de fora, não era das mais criativas. Não sei ao certo o que eu esperava dela. Mas uma das respostas me surpreendeu. Veja:
“A minha é velha, tem goteira, existe desde que meu pai nasceu: tem um baita de um buracão no teto, paredes caindo aos pedaços, janela caindo, laje quebrada, vários buracos no chão, chaminé quebrada, caindo quase na casa do vizinho, goteira portão ruim, cor saindo e passarinhos todos os dias morrem no telhado.”
Não preciso dizer como fiquei depois da leitura, não é? O meu aluno não me sai da cabeça. E o que mais me incomoda é a minha impotência diante do seu problema. O máximo que posso fazer – e faço – é tentar ser uma boa professora para ele, uma pessoa gentil, carinhosa, atenciosa e até amiga. No mais, infelizmente, não poderei influenciar. O resto vem com o tempo, quando ele estiver adulto (quem sabe!?) e eu, talvez, nem esteja mais aqui.
Eu precisava desse desabafo.
Um abraço a todos!
Vanessa.
p.s.: no texto do meu aluno, não fiz nenhuma correção na pontuação. Apenas corrigi as inadequações ortográficas.








