Quem de nós nunca se deixou levar por uma imaginação politicamente incorreta e se deliciou com isso?
Quem de nós nunca sentiu asco de algo ou alguém que recendia a putrefação?
Quem, leitor ou leitora, de nós nunca desrespeitou seus pais, avós ou irmãos, passando ileso por isso?
Quem de nós nunca recebeu um beijo e limpou o rosto em seguida?
Quem nunca sentiu vontade de matar?
Quem nunca cometeu erros, erros e mais erros sem assumir que errou?
Quem nunca humilhou apenas pelo falso prazer que isso proporciona?
Quem nunca fez algo, mesmo sem vontade, só para agradar o outro?
Quem nunca foi (e ainda é) hipócrita?
Ao ler essas perguntas, tenho certeza de que nós nos indignamos e as respondemos com mentiras: “Eu? Nunca!”, “Nunca fiz isto, não.”, “Eu nunca agiria desta forma, imagina.”. Porém, é bastante provável que boa parte dessas perguntas, dessas situações, já tenha acontecido conosco ou, no mínimo, com alguém que conhecemos de vista. Mas parece impossível assumir.
Nós – eu, você, ele, ela, todos, enfim – muitas vezes preferimos a não verdade, preferimos aquilo que nos apresenta ao mundo como perfeitos, aquilo que agrada, aquilo que todos querem ver / ouvir. Penso que aí é que está a porta aberta para a infelicidade, a hipocrisia e as nossas frustrações.
Chamo a atenção para tudo isso para poder falar do NATAL. Famoso, sim. Mas, por quê?
Boa parte das pessoas reserva a sua bondade apenas para o último mês do ano; deixam para amar as pessoas apenas durante este período; e deixam para agradá-las apenas nestes dias, também. Não sejamos ainda mais hipócritas, todos precisam desse amor, dessa bondade e desse carinho durante o ano todo. Mas essa dedicação precisa ser sincera, honesta, verdadeira.
Se elevamos a potência da nossa hipocrisia numa época tão especial, é porque não estamos prontos para renovar as nossas energias e esperanças, e para sentir o verdadeiro espírito natalino.
Feliz ou infelizmente, hipócritas nós sempre seremos, em diferentes escalas. Mas que, pelo menos, sejamos hipócritas com o que há de mais sujo em nós, com aquilo que – por vezes – precisa ser escondido, mascarado. Não sejamos hipócritas com os pequenos gestos, com os votos de felicidades, com os sorrisos, as demonstrações de afeto e, principalmente, com o AMOR! Nós não merecemos tanto fingimento, nem precisamos disso. Nós não merecemos tão pouca dedicação para com a vida, com o seu verdadeiro sentido.
Deixo, aqui, meus sinceros votos de que 2011 seja melhor, menos cruel, mais esperançoso, alegre e feliz. Mas o ano só será melhor se nós o encararmos com bondade, esperança e vontade. E com todo o nosso ser, sentindo a vida pulsar em nós, pedindo para nos renovarmos a cada manhã, a cada gesto, a cada palavra sincera e amiga. Esse, pra mim, é o verdadeiro natal: acreditar e apostar na vida, com sinceridade, vontade e esperança de me fazer melhor, para melhor fazer parte deste mundo.
Beijo grande!
Vanessa.