A vida tem a cor que você pinta. (Mário Bonatti)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ser professor é (também) comover-se com os problemas dos alunos.

Num dia desses, numa avaliação, sem pretensão alguma de expor os problemas dos meus alunos ou de dar-lhes a chance de falar de seus móveis e eletrodomésticos, de vangloriarem-se com os seus “bens” (muitos fizeram isso!), inseri uma questão em que deveriam descrever a sua casa. A questão, vista de fora, não era das mais criativas. Não sei ao certo o que eu esperava dela. Mas uma das respostas me surpreendeu. Veja:


“A minha é velha, tem goteira, existe desde que meu pai nasceu: tem um baita de um buracão no teto, paredes caindo aos pedaços, janela caindo, laje quebrada, vários buracos no chão, chaminé quebrada, caindo quase na casa do vizinho, goteira portão ruim, cor saindo e passarinhos todos os dias morrem no telhado.”


Não preciso dizer como fiquei depois da leitura, não é? O meu aluno não me sai da cabeça. E o que mais me incomoda é a minha impotência diante do seu problema. O máximo que posso fazer – e faço – é tentar ser uma boa professora para ele, uma pessoa gentil, carinhosa, atenciosa e até amiga. No mais, infelizmente, não poderei influenciar. O resto vem com o tempo, quando ele estiver adulto (quem sabe!?) e eu, talvez, nem esteja mais aqui.


Eu precisava desse desabafo.

Um abraço a todos!

Vanessa.

p.s.: no texto do meu aluno, não fiz nenhuma correção na pontuação. Apenas corrigi as inadequações ortográficas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Cordelia Urueta.

Numa visita ao MON (Museu Oscar Niemeyer), tive o prazer de conhecer a obra da mexicana Cordelia Urueta. Divido com você (s) três dos quadros expostos no museu.
Logo que me deparei com a frase (de Cordelia) “Busco uma emoção que vem de dentro”, lembrei-me da obra de Clarice Lispector.

A sensação de ler a obra de Cordelia Urueta, para mim, é a mesma que sinto quando leio Clarice. Ambas encantam pela coexistência do simples e do hermético; das visões otimistas e pessimistas que se pode tecer sobre a nossa existência aqui na terra. E fazem isso num mesmo texto, numa mesma obra. Resultando em algo que ora se digere facilmente, ora se engole com dor, medo e sofrimento. Gosto desses contrapontos.
Deliciai-vos! rs ...


Angeles de la noche - Cordelia Urueta.


Sin título - Cordelia Urueta.

Pintora de luna - Cordelia Urueta.


Até 29/08/2010, no MON, de terça a domingo, das 10h às 18h.

Fica a dica!
Boa semana!

Beijo!

sábado, 7 de agosto de 2010

Pai.


Esquecer

Um amigo meu, nos Estados Unidos, comprou uma casa velha de mais de um século, conservada, como muitas por lá existem. Muitas coisas a serem consertadas. Tudo teria que ser pintado de novo. Antes de pintar com as cores novas ele achou melhor raspar das paredes a cor velha, um azul sujo e desbotado. Raspado o azul, debaixo dele surgiu uma cor rosa mais velha ainda que o azul. Raspou-a também. Aí apareceu o creme, e depois do creme o branco... Cada morador havia coberto a cor anterior com uma cor nova. E assim ele foi indo, pacientemente, camada após camada. Queria chegar à cor original, que apareceria depois que todas as camadas de tinta fossem raspadas. Finalmente o trabalho terminou. E o que encontrou foi surpresa inesperada que o encheu de alegria. Mais bonito que qualquer tinta: madeira linda, o maravilhoso pinho-de-riga, com nervuras formando sinuosos arabescos cor castanha contra um fundo marfim. Parábola: somos aquela casa. Ao nascer somos pinho-de-riga puro. Mas logo começam as demãos de tinta. Cada um pinta sobre nós a cor de sua preferência. Todos são pintores: pais, avós, professores, padres, pastores. Até que o nosso corpo desaparece. Claro, não é com tinta e pincel que eles nos pintam. O pincel é a fala. A tinta são as palavras. Falam, as palavras grudam no corpo, entram na carne. Ao final o nosso corpo está coberto de tatuagens da cabeça aos pés. Educados. Quem somos? “O intervalo entre o nosso desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de nós“, responde Álvaro de Campos. (Rubem Alves)



Aproveito o texto de Rubem Alves para homenagear uma das pessoas mais especiais da minha vida: o meu pai. Ele sempre foi um pai maravilhoso e, com certeza, responsável por muitas demãos de tinta que recebi (e quis guardar, aceitei, não quis/precisei ‘raspar’) durante esses 26 anos. Devo muito do meu caráter, da minha moral, a ele e à minha mãe, que me educaram com amor, carinho e, principalmente, responsabilidade. Obrigada, pai, pelas palavras amigas, pelo carinho constante, pela preocupação e pelo amor incondicional. AMO você.

Dia dos pais é todo dia, eu sei, mas: Feliz dia dos pais a todos! E, para aqueles que – por diversos motivos – não estiverem com seus pais, hoje, vale Pãe, vôpai, tiopai, paidrinho, pairmão, paiamigo, e assim por diante... O que importa é o sentimento que existe e aquela sensação (na verdade, aquela certeza) de que aquele cara (ou “aquela cara”) é O CARA, é o seu herói e o dono das demãos mais importantes da sua vida.

Beijos, boa semana a todos!

Com carinho,

Vanessa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Adriana Calcanhotto: inspiração.

Olá!!!
Pra você(s),
Maré, música de Adriana Calcanhotto e Moreno Veloso. (E junto algumas fotos dos meus dias de folga.)
Tive o prazer de ver a Adriana cantando essa música ao vivo, no show Maré, em Curitiba. Foi emocionante! =)

Espero que goste(m)!

http://www.adrianacalcanhotto.com/sec_musicas_letra.php?id=98



























Boa semana a todos!
Beijos!

sábado, 17 de julho de 2010

Um pouco mais de Alfonsina Storni.

Olá!

Aproveitando a atmosfera dos últimos dias, descontraída, interessante, simples, "leve", posto este poema engraçadinho e despretensioso (?) de Alfonsina Storni. E aproveito para desejar uma semana repleta de coisas boas a todos.

¿Qué diría?



¿Qué diría la gente, recortada y vacía

si en un día fortuito, por ultrafantasía,

me tiñera el cabello de plateado y violeta,

usara peplo griego, cambiara la peineta

por cintillo de flores: miosotis o jazmines,

cantara por las calles al compás de violines,

o dijera mis versos recorriendo las plazas,

libertado mi gusto de vulgares mordazas?



¿Irían mirarme cubriendo las aceras?

¿Me quemarían como quemaron hechiceras?

¿Campanas tocarían para llamar la policía?



En verdad que pensarlo me da un poco de risa.

(Alfonsina Storni)

Au revoir!