A vida tem a cor que você pinta. (Mário Bonatti)

sábado, 7 de agosto de 2010

Pai.


Esquecer

Um amigo meu, nos Estados Unidos, comprou uma casa velha de mais de um século, conservada, como muitas por lá existem. Muitas coisas a serem consertadas. Tudo teria que ser pintado de novo. Antes de pintar com as cores novas ele achou melhor raspar das paredes a cor velha, um azul sujo e desbotado. Raspado o azul, debaixo dele surgiu uma cor rosa mais velha ainda que o azul. Raspou-a também. Aí apareceu o creme, e depois do creme o branco... Cada morador havia coberto a cor anterior com uma cor nova. E assim ele foi indo, pacientemente, camada após camada. Queria chegar à cor original, que apareceria depois que todas as camadas de tinta fossem raspadas. Finalmente o trabalho terminou. E o que encontrou foi surpresa inesperada que o encheu de alegria. Mais bonito que qualquer tinta: madeira linda, o maravilhoso pinho-de-riga, com nervuras formando sinuosos arabescos cor castanha contra um fundo marfim. Parábola: somos aquela casa. Ao nascer somos pinho-de-riga puro. Mas logo começam as demãos de tinta. Cada um pinta sobre nós a cor de sua preferência. Todos são pintores: pais, avós, professores, padres, pastores. Até que o nosso corpo desaparece. Claro, não é com tinta e pincel que eles nos pintam. O pincel é a fala. A tinta são as palavras. Falam, as palavras grudam no corpo, entram na carne. Ao final o nosso corpo está coberto de tatuagens da cabeça aos pés. Educados. Quem somos? “O intervalo entre o nosso desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de nós“, responde Álvaro de Campos. (Rubem Alves)



Aproveito o texto de Rubem Alves para homenagear uma das pessoas mais especiais da minha vida: o meu pai. Ele sempre foi um pai maravilhoso e, com certeza, responsável por muitas demãos de tinta que recebi (e quis guardar, aceitei, não quis/precisei ‘raspar’) durante esses 26 anos. Devo muito do meu caráter, da minha moral, a ele e à minha mãe, que me educaram com amor, carinho e, principalmente, responsabilidade. Obrigada, pai, pelas palavras amigas, pelo carinho constante, pela preocupação e pelo amor incondicional. AMO você.

Dia dos pais é todo dia, eu sei, mas: Feliz dia dos pais a todos! E, para aqueles que – por diversos motivos – não estiverem com seus pais, hoje, vale Pãe, vôpai, tiopai, paidrinho, pairmão, paiamigo, e assim por diante... O que importa é o sentimento que existe e aquela sensação (na verdade, aquela certeza) de que aquele cara (ou “aquela cara”) é O CARA, é o seu herói e o dono das demãos mais importantes da sua vida.

Beijos, boa semana a todos!

Com carinho,

Vanessa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Adriana Calcanhotto: inspiração.

Olá!!!
Pra você(s),
Maré, música de Adriana Calcanhotto e Moreno Veloso. (E junto algumas fotos dos meus dias de folga.)
Tive o prazer de ver a Adriana cantando essa música ao vivo, no show Maré, em Curitiba. Foi emocionante! =)

Espero que goste(m)!

http://www.adrianacalcanhotto.com/sec_musicas_letra.php?id=98



























Boa semana a todos!
Beijos!

sábado, 17 de julho de 2010

Um pouco mais de Alfonsina Storni.

Olá!

Aproveitando a atmosfera dos últimos dias, descontraída, interessante, simples, "leve", posto este poema engraçadinho e despretensioso (?) de Alfonsina Storni. E aproveito para desejar uma semana repleta de coisas boas a todos.

¿Qué diría?



¿Qué diría la gente, recortada y vacía

si en un día fortuito, por ultrafantasía,

me tiñera el cabello de plateado y violeta,

usara peplo griego, cambiara la peineta

por cintillo de flores: miosotis o jazmines,

cantara por las calles al compás de violines,

o dijera mis versos recorriendo las plazas,

libertado mi gusto de vulgares mordazas?



¿Irían mirarme cubriendo las aceras?

¿Me quemarían como quemaron hechiceras?

¿Campanas tocarían para llamar la policía?



En verdad que pensarlo me da un poco de risa.

(Alfonsina Storni)

Au revoir!

domingo, 27 de junho de 2010

Um poema de Machado de Assis

Os dois horizontes

A M. Ferreira Guimarães


Dois horizontes fecham a nossa vida:

Um horizonte, - a saudade

Do que não há de voltar;

Outro horizonte, - a esperança

Dos tempos que hão de chegar:

No presente, - sempre escuro, -

Vive a alma ambiciosa

Na ilusão voluptuosa

Do passado e do futuro.



Os doces brincos da infância

Sob as asas maternais,

O vôo das andorinhas,

A onda viva e os rosais;

O gozo do amor, sonhado

Num olhar profundo e ardente,

Tal é na hora presente

O horizonte do passado.



Ou ambição da grandeza

Que no espírito calou,

Desejo de amor sincero

Que o coração não gozou;

Ou um viver calmo e puro

À alma convalescente,

Tal é na hora presente

O horizonte do futuro.



No breve correr dos dias

Sob o azul do céu, - tais são

Limites no mar da vida:

Saudade ou aspiração;

Ao nosso espírito ardente,

Na avidez do bem sonhado,

Nunca o presente é passado,

Nunca o futuro é presente.



Que cismas, homem? Perdido

No mar das recordações,

Escuto um eco sentido

Das passadas ilusões.

Que buscas, homem? - Procuro,

Através da imensidade.

Ler a doce realidade

Das ilusões do futuro.



Dois horizontes fecham nossa vida.

(Machado de Assis)


Boa semana a todos!

=)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Da felicidade.

"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!"
Mário Quintana

Quanta delicadeza e sabedoria!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Gentileza gera gentileza.

Olá!!!
Reservo um espaço no Escapismos para oferecer um mimo a um dos caras mais queridos que já conheci na vida. O tempo que nos conhecemos é relativamente curto, mas suficiente para notar o grande ser que está por detrás daqueles olhos azuis e daqueles cachinhos castanhos (desordenados). rs... Aqui, ficam dois vídeos. Representantes das cantorias que alegraram as nossas manhãs lá na escola. rsrs...
Sucesso, Daniel.

Com carinho!







P.s.: Claro que os vídeos são, também, um mimo a você, caro leitor.